Encontraram-se. Fez-se caminho de fogo. Não se sabiam iguais e, ao se perceberem espelho, susto. Tentaram repelir-se, fazia-se tarde. Eram tempos de beleza e dor, de impossibilidade de retorno. Seguiram o ciclo maldito. Mostraram-se fortes sem conhecer o que de frágil neles habitava. Encontraram-se desgovernados, juntos em um não-estar. Assim, na caminhada, foram a se desvelar num enredo ainda não escrito. Novelos enleados em um único fio, desenrolando-se no labirinto da existência. Teceram fugidias tramas de Penélope. A proposta era não concretizar a tapeçaria. Hoje, porém, vide, as Moiras cortaram o fio que os unia. Coube ao fadado sortilégio cumprir-se. O plano era maior, já não lhes pertencia. Como não pretendessem consultar oráculos, tampouco cegos profetas, seguiram o mapa de fios emaranhados em uma trama de poesia.