Miralume são cinco variações, são cinco sentidos, mas todos para o sul.
Um farol aposenta-se e cria cabelos. Uma casal de albatrozes faz ninho. Aí é só colocar uma lanterna na boca de cada filhote e esperar a noite: vira um miralume.
Miralume são cinco variações, são cinco sentidos, mas todos para o sul.
Um farol aposenta-se e cria cabelos. Uma casal de albatrozes faz ninho. Aí é só colocar uma lanterna na boca de cada filhote e esperar a noite: vira um miralume.
Certa vez fiz um poema sobre a palavra, que dizia no final:
ela luzeiro: luzerna contra a proa do navio
A palavra Miralume: luzerna em várias lâmpadas. Miralume é olhar entrecortado, com vários ângulos, como a estrela. Tem tantas pontas quantas há: pode comentar. Seu ângulo será bem-vindo. Será bem-vindo seu foco, textura, intensidade.
Ninguém esqueça ainda aquela história de um velho professor: cada um vê o que enxerga através das suas lentes. Eu daqui, você daí, na mira. A gente pode trocar de óculos: tingir de escuro ou cor-de-rosa o nosso olhar. Trocar de lentes de vez em quando deixa a vida leve e por isso é tão bom ler. Obrigada por escreverem.
Miralume: contra a proa do navio. Rasgando o oceano de tanta gente e tanto lugar. Procurando reunir em feixe todas essas semelhanças. Discorrendo todas essas diferenças. Nós, vocês: de um ponto a outro, em qualquer lugar.
Somos apenas vozes, por exemplo. Não só vozes: dicções. Cinco nomes num Miralume. Mais que a apresentação de um grupo é o resultado de uma afinidade criativa que se reúne em diferentes tons, ecos e ruídos. Diferença que gera sentido, mais que a intenção de algum objetivo. E sobre cada qual a consciência de ser vários em cada um. Apenas vozes.
Não só vozes: reverberações
Cinco vozes para levar a poesia sulista a lume. Cinco vezes cinco tentativas de mirar a água que desce dançando como fogo. Mileuma canções submarinas cujo sopro nos ensina a ser partituras. Vozes de sol que se expande pela brasa,
Miralume.