Miralume.

Agosto 31, 2006

Arquivado em: Diego Petrarca — miralume @ 3:57 am

Recuso descobertas

é muito mais

difícil

desaprender as coisas

Agosto 29, 2006

Arquivado em: Telma Scherer — miralume @ 8:35 pm

Meu amor está sóbrio agora.
Olha fixamente a xícara de café.
Não quero dividi-lo nem mesmo com essa música.

As horas passam tranqüilas
pois me prendi no quarto
arrumei cem vezes a cama
e um corpo estendido me abraça,
sólido.

Agosto 28, 2006

Água próxima, terra curta

Arquivado em: Carlos Besen — miralume @ 11:39 pm

Os dias
mais curtos
que um braço:

ao fazer
as mãos,

deixo um dedo
para o rosto,uma ilha
para a água.

Agosto 27, 2006

Segredos marinhos

Arquivado em: Carla Laidens — miralume @ 6:22 pm

amor do mar:
a maré

a maré
alta
arrasta
incauta

a maré
tormenta
arrebenta
violenta

a maré
talante
constante
amante

a maré
decesso
processo
retrocesso

Agosto 26, 2006

Arquivado em: Lorenzo Ribas — miralume @ 12:57 am

Passou pelas cabeças um sopro

e veio a tempestade.

Relógios voavam em redemoinhos

As mães abraçavam os filhos no colo

as crianças choravam

os velhos tremiam

E os olhos saltavam para fora das órbitas.

 

Não houve nuvens, mas algo

abstrato que inflou a cidade

deixando o céu carregado.

As aves voavam abaixo dos gritos

E as plantas longe abanavam

 

O povo corria nas ruas

As casas ficaram abertas e as perguntas

sem resposta.

 

Em ondas subia a cidade

as raízes, os alicerces, os pavimentos…

Quando acordei com um grito:

toda a casa estava em silêncio

e meu filho dormia em seu berço.

Agosto 23, 2006

Arquivado em: Diego Petrarca — miralume @ 11:50 pm

Por mais que a tarde

insista em abrir os braços

 a pintura das paredes

e rigidez das portas

me recebem em gestos

de antecipação

Agosto 22, 2006

Lutar com a pedra

Arquivado em: Carlos Besen — miralume @ 1:30 am

Lutavas com o rio. Eu cortava verbos para que tentasses a língua no outro lado do drama. Eu borbulhava os sentidos do acontecido para que chegasses por ti a implodir o gelo da expressão. Tua face atingia a indiferença, pupila no escuro. Eu não podia abrir uma vala em teu rosto. Teu choro: água murmurando o sumo da rocha. Acortinado, teu riso de leite era de pedra. Eu te perdi para o musgo.

Agosto 19, 2006

Da série “minimalismos”

Arquivado em: Carla Laidens — miralume @ 9:36 pm

Segredo 

Dentro de cada beijo,

(silêncio…)

o amor.

Agosto 18, 2006

Progresso das chuvas

Arquivado em: Lorenzo Ribas — miralume @ 9:44 am

A tarde inundou os cálices

Poças ficaram suspensas

nas copas.

A água na forma de uma carícia

livre, caída, deixada;

Tão humano eu não sabia

que humano eu era máquina.

 

O chão foi aberto em percursos,

A água deitada lavou os detritos

em fortes torrentes. Não me pergunte:

Eu já sabia, mas não podia.

 

Barulho de pânico e pressa alargava nas ruas

no entorno das rotas

E a água tocava nas flores melífluas

notas, nas últimas

águas

Enquanto gigantes sucumbem ao som de trombetas

E insetos eclodem depois das enchentes,

milhares, milhões, iguais e unânimes.

 

O sol porém secará os relógios

a tempo. Sabíamos:

em paz veio o dia.

Um homem trabalha,

Um cactos cresce,

Um lagarto espera.

 

A tarde que cai sobre nós talvez diga:

- distâncias às vezes tornam-se água.

Apanho o pouco que posso

e bebo nas mãos

que a sede sinto é sozinha.

 

As flores das copas, ainda cheias,

gotejavam, rubras, suicidas.

Agosto 17, 2006

Da série “Brevearte”

Arquivado em: Diego Petrarca — miralume @ 3:11 am

A residência

onde peço demissão

não explica

a violência dos automóveis

contra os ouvidos

de manhã cedo

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