Desesperaram-se. Clamaram socorro divino. Suplicavam lágrimas, porque a secura de seus olhos era apenas ficção. Haviam se enganado mais uma vez. Escutai, o amor andava doente e ninguém pode perceber. O cancro tomara conta de tudo! Nos olhos, as nuvens já haviam se dispersado. Agora, tomara força a tormenta e começava, na inquietude dos mares e dos ventos, a devastar a casinha e o jardim florido que haviam construído com tanto afeto. Como era belo, mas a poesia havia desmoronado, tijolo por tijolo, cada rima, cada verso. A ferida agora somente crescia. Virou monstro e devorava cada recanto por onde passava. Era necessário partir, mas o que ainda lhes preocupava era que não haviam aprendido a ouvir o ressonar solitário de seus passos pela estrada. Talvez se fossem pássaros, mas não houve mais o tempo falso das transmutações.
Novembro 21, 2006
Novembro 4, 2006
Advertência
A mentira
é um exercício
de liberdade cumpre seu dever
reverbera
em conselho
ao pé do ouvido
Novembro 1, 2006
III – A verdade
Calaram-se. Não era certo revelar verdades. Apenas contavam aquilo que lhes era permitido dizer. Naqueles tempos falava-se sobre o vento e vivia-se apenas de amor. Por debaixo do tapete florido escondiam-se grandes tempestades. O que lhes importava era não estragar a falsa estabilidade das coisas adquiridas. Fora tão difícil chegar ao amor. Melhor sacrificar as vontades. Desejaram veementemente a vida do outro para si. O desejo tomou forma. A forma tornou-se posse. O amor estava sitiado. Vigiavam-se os passos. Na extensão do castelo criaram cárcere. Coluna por coluna dispostas docemente. Foram tempos de estar-se preso por vontade.