Calaram-se. Não era certo revelar verdades. Apenas contavam aquilo que lhes era permitido dizer. Naqueles tempos falava-se sobre o vento e vivia-se apenas de amor. Por debaixo do tapete florido escondiam-se grandes tempestades. O que lhes importava era não estragar a falsa estabilidade das coisas adquiridas. Fora tão difícil chegar ao amor. Melhor sacrificar as vontades. Desejaram veementemente a vida do outro para si. O desejo tomou forma. A forma tornou-se posse. O amor estava sitiado. Vigiavam-se os passos. Na extensão do castelo criaram cárcere. Coluna por coluna dispostas docemente. Foram tempos de estar-se preso por vontade.
Novembro 1, 2006
2 Comentários »
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Ata-me. O amor que só é amor quando elevado ao grau extremo de invasão, ao grau extremo de captação. Ao mesmo tempo que pensei esse filme do Almodovar, pensei em 1984. Escreves bem criativo!
Comentário por Dri — Novembro 3, 2006 @ 9:37 pm
sempre as prisões… E há quem deseje-as. Afinal, se são doces as grades, por que não? situação tão comum descrita de forma tão poética, maravilhoso texto.
Comentário por Um Leitor — Novembro 6, 2006 @ 12:43 am