Miralume.

Novembro 21, 2006

IV – Prenúncio

Arquivado em: Carla Laidens — miralume @ 10:55 am

Desesperaram-se. Clamaram socorro divino. Suplicavam lágrimas, porque a secura de seus olhos era apenas ficção. Haviam se enganado mais uma vez. Escutai, o amor andava doente e ninguém pode perceber. O cancro tomara conta de tudo! Nos olhos, as nuvens já haviam se dispersado. Agora, tomara força a tormenta e começava, na inquietude dos mares e dos ventos, a devastar a casinha e o jardim florido que haviam construído com tanto afeto. Como era belo, mas a poesia havia desmoronado, tijolo por tijolo, cada rima, cada verso. A ferida agora somente crescia. Virou monstro e devorava cada recanto por onde passava. Era necessário partir, mas o que ainda lhes preocupava era que não haviam aprendido a ouvir o ressonar solitário de seus passos pela estrada. Talvez se fossem pássaros, mas não houve mais o tempo falso das transmutações.

4 Comentários »

  1. quero você nua. pelada… fotos… sexo… sem pudor, com lágrimas. luz de velas. suor. meu esperma em você… seus gemidos, pedidos íntimos de penetração ditos aos ouvidos: gritos que extraio de você. meu gozo em ti, meu desejo por você… consegue viver sabendo disso?

    Comentário por tz — Novembro 22, 2006 @ 9:02 pm

  2. apenas um
    me tem nua, sem pudor,
    com lágrimas, luz de velas, suor.

    apenas um
    me preenche,
    ouve meus gemidos,
    pedidos ditos ao ouvido
    extrai meus gritos,
    e goza em mim seu desejo.

    apenas um
    desfruta desses direitos
    ele:
    meu poema de amor

    Comentário por CarLa Giovana — Novembro 27, 2006 @ 8:00 pm

  3. Vou fazer um comentário de um comentário:

    Acredito que o sr. “tz” tenha escrito alguma coisa mais próxima do “chulo” do que do prenúncio da Carla…
    E mais nobre a foi a resposta dela em versos e mais próximo da alma poética dela.

    Carla, adorei o “Prenúncio”. segue tua maravilhosa sina predita em algum tempo passado.

    beijo, escritora.

    Comentário por Um Leitor — Dezembro 6, 2006 @ 11:34 am

  4. Leitor,

    Obrigada pela adorável, nobre e constante presença.

    Comentário por Carla Giovana — Dezembro 6, 2006 @ 9:18 pm


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