Partiram-se. A forma uma que havia dilacerou-se. Pedaços espalharam-se pelo piso da sala. A massa disforme que se criara desmanchava-se aos poucos e o que dali surgia era um não-ser. Não havia como agarrar o vazio daquele instante. Também os tijolos viram tranformar-se em areia, a escorrer feito líquido rápido e fremente pela ampulheta rompida. Um tempo perdido. Procuraram o amor, mas ele já havia se mudado há muito. Restaram apenas feridas expostas, fotos rasgadas, cartas sobre a mesa. Agora a verdade surgia: eram estranhos a dividir amargos gostos. Daqueles que iniciaram o mundo, sobraram apenas recordações. Eram outros. De tanto amor, haviam se consumido.
Dezembro 6, 2006
1 Comentário »
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…Às vezes, a deterioração, de-sin-te-gra-ção é necessária para que possa acontecer a re-invenção, ou novas descobertas…de si, do mundo…
Beijos, aos pedaços, doces.
Comentário por Ana Luisa — Junho 11, 2007 @ 12:59 am