A tarde inundou os cálices
Poças ficaram suspensas
nas copas.
A água na forma de uma carícia
livre, caída, deixada;
Tão humano eu não sabia
que humano eu era máquina.
O chão foi aberto em percursos,
A água deitada lavou os detritos
em fortes torrentes. Não me pergunte:
Eu já sabia, mas não podia.
Barulho de pânico e pressa alargava nas ruas
no entorno das rotas
E a água tocava nas flores melífluas
notas, nas últimas
águas
Enquanto gigantes sucumbem ao som de trombetas
E insetos eclodem depois das enchentes,
milhares, milhões, iguais e unânimes.
O sol porém secará os relógios
a tempo. Sabíamos:
em paz veio o dia.
Um homem trabalha,
Um cactos cresce,
Um lagarto espera.
A tarde que cai sobre nós talvez diga:
- distâncias às vezes tornam-se água.
Apanho o pouco que posso
e bebo nas mãos
que a sede sinto é sozinha.
As flores das copas, ainda cheias,
gotejavam, rubras, suicidas.