Miralume.

fevereiro 27, 2007

PAUSA

Filed under: Diego Petrarca — miralume @ 9:38 pm

Olá:

Os integrantes do Miralume deram uma pausa no projeto do blog sem data definida. Por enquanto fica o registro do que já foi postado.

“Poesia demora, poesia é feita de silêncio. Talvez por isso esses espaços de vazio e nossas postagens cada vez mais raras.Desculpem-nos. Desculpemo-nos. Obrigada por respirarem com a gente”.

dezembro 19, 2006

Percurso

Filed under: Carla Laidens — miralume @ 7:16 am

sede   de vida
 ânsia  de vida
 tanta  vida
 tonta  vida
  toda  vida
  sobrevida
   havida
   devida
    ida

dezembro 6, 2006

V- O inominável

Filed under: Carla Laidens — miralume @ 3:00 pm

Partiram-se. A forma uma que havia dilacerou-se. Pedaços espalharam-se pelo piso da sala. A massa disforme que se criara desmanchava-se aos poucos e o que dali surgia era um não-ser. Não havia como agarrar o vazio daquele instante. Também os tijolos viram tranformar-se em areia, a escorrer feito líquido rápido e fremente pela ampulheta rompida. Um tempo perdido. Procuraram o amor, mas ele já havia se mudado há muito. Restaram apenas feridas expostas, fotos rasgadas, cartas sobre a mesa. Agora a verdade surgia: eram estranhos a dividir amargos gostos. Daqueles que iniciaram o mundo, sobraram apenas recordações. Eram outros. De tanto amor, haviam se consumido.  

novembro 21, 2006

IV – Prenúncio

Filed under: Carla Laidens — miralume @ 10:55 am

Desesperaram-se. Clamaram socorro divino. Suplicavam lágrimas, porque a secura de seus olhos era apenas ficção. Haviam se enganado mais uma vez. Escutai, o amor andava doente e ninguém pode perceber. O cancro tomara conta de tudo! Nos olhos, as nuvens já haviam se dispersado. Agora, tomara força a tormenta e começava, na inquietude dos mares e dos ventos, a devastar a casinha e o jardim florido que haviam construído com tanto afeto. Como era belo, mas a poesia havia desmoronado, tijolo por tijolo, cada rima, cada verso. A ferida agora somente crescia. Virou monstro e devorava cada recanto por onde passava. Era necessário partir, mas o que ainda lhes preocupava era que não haviam aprendido a ouvir o ressonar solitário de seus passos pela estrada. Talvez se fossem pássaros, mas não houve mais o tempo falso das transmutações.

novembro 4, 2006

Advertência

Filed under: Diego Petrarca — miralume @ 4:30 pm

A mentira 

             é um exercício  

             de liberdade                          cumpre seu dever 

             reverbera  

             em conselho 

             ao pé do ouvido

novembro 1, 2006

III – A verdade

Filed under: Carla Laidens — miralume @ 10:28 am

Calaram-se. Não era certo revelar verdades. Apenas contavam aquilo que lhes era permitido dizer. Naqueles tempos falava-se sobre o vento e vivia-se apenas de amor. Por debaixo do tapete florido escondiam-se grandes tempestades. O que lhes importava era não estragar a falsa estabilidade das coisas adquiridas. Fora tão difícil chegar ao amor. Melhor sacrificar as vontades. Desejaram veementemente a vida do outro para si. O desejo tomou forma. A forma tornou-se posse. O amor estava sitiado. Vigiavam-se os passos. Na extensão do castelo criaram cárcere. Coluna por coluna dispostas docemente. Foram tempos de estar-se preso por vontade.

outubro 23, 2006

Sobre

Filed under: Telma Scherer — miralume @ 6:49 pm

Poesia demora, poesia é feita de silêncio. Talvez por isso esses espaços de vazio e nossas postagens cada vez mais raras. Para escrever é preciso às vezes respirar profundamente sem canto de olho para os outdoors, um minutinho de calma entre a turbulência dos ônibus, quietude no alvoroço da casa, solidão. Poema está sempre cobrando maturações e explicações. Poema pede que a gente faça as malas para vez ou outra ir olhar o sol. Poema livra das obrigações de Pis e Cpf. Não tem como arrancá-lo do umbigo sem muita paciência.
Respire com a gente, leitor. O Quintana escreveu algo mais ou menos assim: “Quem faz um poema abre uma janela./Respira, tu que estás numa cela / abafada/ esse ar que entra por ela. / É por isso que os poemas têm ritmo, / para que possas, enfim, profundamente respirar // Quem faz um poema salva um afogado”.
Poema no blog tem que ser regado como poema em página premiada. É assim, sem abandono.
Desculpem-nos. Desculpemo-nos. Obrigada por respirarem com a gente.

outubro 10, 2006

II – A plenitude

Filed under: Carla Laidens — miralume @ 10:44 am

Tocaram-se. Em meio ao deserto de outrora criou-se o mundo. O verbo se fez carne amalgamada em um só corpo. Cada beijo era um gole sorvido de um vinho jamais experimentado. Naqueles tempos fazia-se música nos cantos mais recônditos ecoar pelos ares. Os dias eram mais claros. Os perfumes pulsantes. Salivas e corpos misturavam-se. O tempo parecia uma alcova sem fim. O chão começara a tornar-se firme e por sobre ele criou-se o mais belo castelo de que já se teve notícia. O mundo era-lhes por demasiado pequeno. Vide: o amor existia e, em seu nome, selaram-se promessas.

outubro 2, 2006

I- O encanto

Filed under: Carla Laidens — miralume @ 9:43 am

Encontraram-se. Fez-se caminho de fogo. Não se sabiam iguais e, ao se perceberem espelho, susto. Tentaram repelir-se, fazia-se tarde. Eram tempos de beleza e dor, de impossibilidade de retorno. Seguiram o ciclo maldito. Mostraram-se fortes sem conhecer o que de frágil neles habitava. Encontraram-se desgovernados, juntos em um não-estar. Assim, na caminhada, foram a se desvelar num enredo ainda não escrito. Novelos enleados em um único fio, desenrolando-se no labirinto da existência. Teceram fugidias tramas de Penélope. A proposta era não concretizar a tapeçaria. Hoje, porém, vide, as Moiras cortaram o fio que os unia. Coube ao fadado sortilégio cumprir-se. O plano era maior, já não lhes pertencia. Como não pretendessem consultar oráculos, tampouco cegos profetas, seguiram o mapa de fios emaranhados em uma trama de poesia.

setembro 22, 2006

Matar faz-se na calada

Filed under: Carla Laidens — miralume @ 4:00 pm

como a criança
tomada em seu mais profundo medo
chora a alegria da vidraça quebrada
assisto teu derradeiro fim

definhas perante meus olhos
e eu nada posso fazer senão esperar alívio
depois que te fores
nunca mais te precisarei chorar
não te sentirei saudades

já no caminho
terás percebido
que tão simples como é te amar
é te matar
meu amor…

te sinto partir
e como me são tristes as despedidas…

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